domingo, 24 de novembro de 2013

Autobiografia de Irundy Dias ( P 50 )

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral,    os próximos prefeitos, só teriam dois anos para governar os seus Municípios, visto que o calendário eleitoral, deveria ser regularizado. O povo por sua vez , batizou logo aquele período de dois  anos, de " MANDATO TAMPÃO. Aqui em Poções, o Prefeito eleito foi um grande amigo nosso de longas datas. Arnulpho Ramos Silva, mais conhecido por Lulu, procurou fazer em dois anos, muita coisa  em prol do Município do que outros prefeitos com o mandato de quatro. Simples como ele sempre foi e ainda tendo como companheira a batalhadora e incansável Deusdnéa Macêdo Silva, primeiramente organizaram com muito cuidado, o quadro dos assessores principais, para em seguida esquematizar os plano  de trabalho.
As verbas destinadas a CNEC, não sofreram solução de continuidade. Na época, com atuação esmerada e firme de Néa Macêdo, que já fora ex-aluna do próprio colégio, conseguimos iniciar a construção
da quadra de esportes.De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral,    os próximos prefeitos, só teriam dois anos para governar os seus Municípios, visto que o calendário eleitoral, deveria ser regularizado. O povo por sua vez , batizou logo aquele período de dois  anos, de " MANDATO TAMPÃO. Aqui em Poções, o Prefeito eleito foi um grande amigo nosso de longas datas. Arnulpho Ramos Silva, mais conhecido por Lulu, procurou fazer em dois anos, muita coisa  em prol do Município do que outros prefeitos com o mandato de quatro. Simples como ele sempre foi e ainda tendo como companheira a batalhadora e incansável Deusdnéa Macêdo Silva, primeiramente organizaram com muito cuidado, o quadro dos assessores principais, para em seguida esquematizar os plano  de trabalho.
As verbas destinadas a CNEC, não sofreram solução de continuidade. Na época, com atuação esmerada e firme de Néa Macêdo, que já fora ex-aluna do próprio colégio, construção da quadra de esportes, si9mples, mas que servisse para a prática das sessões de Educação Física, jogos de vôlei e de futsal.
Para nós militantes da CNEC, os dois anos que Lulu e Néa estiveram a frente do Município, passaram muito rápido. Certo dia, o Corpo Docente com  a presença de alguns alunos interessados, esteve reunido sob o meu comando ,  e ali deliberamos, que uma das salas ainda sem placa, fosse batizada com nome de Arnulpho Ramos Silva, por tudo que ele fez em benefício do Centro Educacional Cenecista de Poções. Assim, numa certa tarde previamente escolhida, logo perto do seu fim de mandato, mas ainda dentro do período letivo de aulas, com a presença de Lulu e Néa, o Corpo Docente quase na íntegra e uma boa dezena de alunos, principalmente aqueles do Curso de magistério, nos reunimos para fazer uma festinha de congraçamento, prestando uma homenagem a quem nos serviu tanto naqueles dois anos. O roteiro fora entregue a um grupo de alunos ,que souberam organizar o evento ao agrado de todos os presentes. Antes de participarmos da solenidade social, houve do lado de fora, uma pequena solenidade, onde Renan Macêdo como Secretário do Colégio e também do Prefeito, usou da palavra ligeiramente, falando sobre o que estava ocorrendo. Após descerrada uma pequena Bandeira que cobria a placa com o nome de Arnulpho Ramos Silva, todos os presentes entraram na sala visivelmente modificada e enfeitada com o bom gosto das alunas do Curso de Magistério.
Dando continuidade aos trabalhos, uma das alunas serviu de mestre de cerimônia, chamando uma das colegas para passar às mãos de Deusdnéa Macêdo Silva, esposa do Prefeito, uma linda corbeille de flores naturais.
Seguiram-se pequenos discursos de agradecimento de ambas as partes,  sequenciando com abraços, apertos de mãos e outros menores agradecimentos de pé de ouvido e finalmente foram servidos salgadinhos e doces, acompanhado de sucos e refrigerantes..
Foi uma festinha simples que por sinal, marcou muito na vida de nossa juventude estudantil, ali presente, que estava ladeada com os seus professores.

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sábado, 23 de novembro de 2013

Autobiografia de Irundy Dias ( p 51 )

A Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Bahia resolveu abolir definitivamente os exames de admissão ao ginásio e consequentemente os alunos que concluíram o curso primário tendo feito a quinta série nos seus respectivos prédios escolares, tiveram o direito de matricular-se automaticamente na sexta série ginasial. E daí os alunos que terminaram a quarta série primária galgaram, a matricula na quinta série ginasial, sem necessidade de submeter-se a qualquer tipo de exame de aptidão. Foi então que Sybele e Mercês haviam terminado a quarta série no Grupo Escolar Alexandre Porfírio e pegaram a “moleza” de ingressar no Curso Ginasial, fazendo parte de uma das três turmas da quinta  série da CNEC,no ano de 1972.
Entre as primeiras preocupações oriundas dos gêmeos, é que à medida que o tempo passava Dino gulosíssimo como era o leite materno de Nó não o satisfazia mais. A conselho médico, começamos a preparar todas as noites, uma mamadeira de engrossante para cada um deles. O umbigo de Dino já começara a estufar, sendo necessário que Papai arranjasse um botão grande de madrepérola, para cobrir o umbigo e por cima dele um bom pedaço de esparadrapo. De fato. A nova técnica deu resultado, pois o engrossante fez com que o gulosinho parasse e perturbar o sono de todos e aí o umbigo voltou a normalidade. Alguns meses depois,  quando ambos já se sentavam sozinhos, sem termos aqueles primeiros vacilos de cai pra um lado ou cai para o outro, chamamos um fotógrafo de Vitória da Conquista, por nome Jurandir e mandamos preparar três pôsteres, sendo um para Dino e Guga  e os outros dois separados para Sybele e Mercês e esses quadros ainda se acham até hoje colocados nas paredes de dois quartos de nossa residência.
À partir de 1973, à pedido de Sybele deixamos de comemorar os seus aniversários com aquela pompa toda. Era uma reunião mais simples com os parentes e os amigos mais próximos.

Mas em meados de 1974, a Diretoria da ACASCP (Associação de Cultura e Assistência Social da Cidade de Poções), em comum acordo com diversas famílias associadas, resolveu a realizar uma festa de Debutantes, porém bem sofisticada. As meninas que iriam fazer parte, sendo que umas estavam a completar os quinze anos, enquanto outras já haviam feito, combinaram que os vestidos seriam longos com a cor predominante  rosa e os demais detalhes ficariam a cargo do gosto de cada uma. Enquanto isso, os padrinhos das debutantes teriam que se apresentar obrigatoriamente de smoking comprado ou alugado. Achei melhor comprar o meu, já pensando na festa do ano vindouro, quando seria a vez de Mercês. Foi uma festa bem organizada. Sybele foi a última a ser chamada, porque as apresentações foram feitas em ordem do mês de nascimento. Cada pai ou padrinho, fez o acompanhamento de sua pupila e depois de reunidos, dançaram a valsa, onde somente os casais inscritos fizeram parte. Depois então, a pedido dos presentes, foi executada uma outra valsa e aí puderam participar outros parentes das debutantes, que também tiveram os seus momentos de prazer. Enquanto se desenrolavam as danças, o salão repleto de fotógrafos que não perderam tempo em busca de melhores ângulos na obtenção de suas melhores fotos. Cessada essa parte da cerimônia, o conjunto continuou tocando diversos tipos de músicas para satisfação dos presentes. Os comes e bebes em suas respectivas mesas, com grande fartura, completaram aquela noitada e todos se animaram para que o clube repetisse a dose no ano seguinte com as novas debutantes.                                                  153

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Autobiografia de Irundy Dias ( p 49 )

No dia 8 de março de 1971, recebemos um telegrama, onde Armando nos contava sobre o nascimento do seu primogênito, Silvio Caetano, em parto normal, ocorrido no dia 6, ou seja, dois dias antes do recebimento da notícia. Dias depois ,recebemos uma cartinha, onde num relato mais simples, eles contavam sobre a vidinha que estavam levando e aproveitaram o ensejo, para nos convidar a sermos os padrinhos do garoto a poucos dias nascido. Nó e eu ficamos sinceramente agradecidos  e passada a fase de euforia, voltamos as vistas para o nosso próximo filho e agosto já estava se avizinhando. Mas dessa vez, estávamos precavidos. Não haveria mais subidinhas e descidinhas naqueles veículos de Salvador. A nossa rotina aqui em Poções era mais segura.
Logo após os festejos de São João, fizemos uma viagem curta a Vitória da Conquista , naqueles exames rotineiros e Dr Fernando aproveitou para fazer uma ultrassonografia, onde constatou-se que Noélia iria ganhar duas crianças em meados do mês de agosto. O Sr Jambinho ao saber do resultado comentou:
“--- Eu estava desconfiado, mas não quis dizer nada, pois estou achando a sua barriga muito grande para ser um filho só.”
Aquela expectativa aumentou de tal modo, que o Dr Fernando, em Conquista, no último exame que foi feito, nos disse que os meninos iriam nascer entre 15 e 25 de agosto.
No dia 5 de agosto, fomos à Conquista, para comprar alguns materiais dentários, visto que aqui em Poções, nunca apareceu algum comerciante com essa ideia de  pelo menos colocar um pequeno negócio, que servisse para abastecer a própria cidade e as demais regiões circunvizinhas. Quando estávamos já nos preparando para regressar a Poções, deu um estalo em minha cabeça, para que passássemos no Posto onde o  Dr Fernando trabalhava. Estacionei o carro( o fusquinha que já fizera um ano de comprado em junho).e saltamos. Como praticamente naquele horário, o posto achava-se quase vazio, Noélia foi logo encaminhada para o atendimento. Fiquei esperando até quando Nó apareceu dizendo:
---Dy ,você não sabe de uma coisa !
Que foi Nó?--- perguntei já com a orelha em pé.
Nó  continuou:
---Feliz foi a ideia que você teve em vir procurar o Dr Fernando. Os nossos filhos irão nascer hoje. Vou ficar hospedada em casa de Guilherme e Irene, enquanto você irá a Poções, trazer as roupinhas dos nenês. Peça a  Tereza para vir também. Depois de  deixar Nó em casa de Guilherme e Irene , peguei o fusca e vim “voando “pela Rio Bahia. Se é que a expressão VOANDO, pode ser aplicada a um fusca. Mas naquela altura dos acontecimentos, o mais rápido que eu pudesse atuar, seria um ganho de tempo inestimável. Cheguei em Poções, um pouco mais do meio dia. Almoçamos e de imediato, Tereza e eu partimos de volta, lá chegando à residência de Irene, precisamente às 15 horas e 20 minutos. Mas Noélia já havia sido internada na Santa Casa de Misericórdia através de recomendação do próprio Dr Fernando.

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Seguimos para lá e encontramos Nó dentro do apartamento, andando de um lado para o outro, seguindo fielmente as recomendações do Dr. Fernando, até que precisamente as 17 horas, duas enfermeiras chegaram com uma maca e com aquela habilidade característica de quem entende do serviço, em poucos instantes, dona Noélia já estava prontinha para sair do apartamento rumo à sala de partos. Mas não demorou muito. Aquela expectativa que ficamos foi dissipada em pouco mais de meia hora, quando Nó chegou deitada numa maca, ladeada por duas enfermeiras, enquanto duas outras, seguravam, cada qual uma criança. Aquele embrulhado por fora, com uma flanela de cor azul, era um menino com o rosto meio inchado, apresentando também os dois olhinhos bem apertados, parecendo mais um japonês. A outra criança veio toda enrolada numa coberta de cor rosa. Era uma menina. Um casal de gêmeos ?
Nó pregava cada peça interessante. Há quatro anos  foram dois meninos que perdemos, mas agora era um casal, mais difícil de “vingar”, como vaticinavam as más línguas. No dia seguinte eles seriam registrados como os nomes de Dino Augusto e Maria Augusta. Nos primeiros moimentos observamos que Dino achava-se meio inchado, por ter suportado o peso de Maria Augusta, por algum tempo antes de serem expelidos. Por sua vez, Maria Augusta demonstrava que estava com fome, pois a sua língua não parava um instante. As enfermeiras se encarregaram de passar a notícia pelas dependências do Hospital, tal a afluência de curiosos que compareceram em nosso apartamento. Para cada visitante, nós tínhamos que ouvir as suas preces, as suas conversações, ensinamentos e outras coisinhas mais ,como se nós dois fôssemos “marinheiros de primeira viagem “.Para tentar dormir é que foi difícil. Em todo instante, aparecia uma enfermeira, ora para atender Nó e na maioria das vezes, para observar o estado das crianças, que por sua vez, dormiam tranquilamente o “sono dos justos”. Tia Té ficara na residência do casal Guilherme /Irene. Nessa mesma madrugada, numa das horas em que Nó achava-se acordada, ela me deu a notícia de que escolheria Guilherme e Irene para serem os padrinhos de Maria Augusta, enquanto Tia Té e tio Fonso, seriam os padrinhos de Dino.
No dia 6, sexta feira, saí logo cedo e fui registrar as duas crianças. Na volta, encontramos o Dr Fernando  e ele nos passou a notícia de que iria passar o fim de semana na sua roça. Pedimos então, que ele desse alta a Nó no sábado, pois a mesma passou a noite muito bem e as duas crianças estavam perfeitamente com saúde. Com aquela parte já efetivada, o resto foi esperar calmamente., que a sexta feira passasse o mais rápido possível.
Quando o sábado amanheceu, fizemos a seguinte arrumação dentro do fusca: Tia Té ficou sentada no banco traseiro segurando Dino. Nó amparou Guga e ficou sentada ao meu lado, no banco da frente. Entrei no carro e vim trazendo-o na base média de 60 quilômetros por hora, até estacionar em nossa residência à Rua Olímpio Rolim, número 90.
No mesmo dia, a notícia correu ao largo, e incessantemente recebemos diversas visitas. Só mesmo à noite, é que o Sr. Jambinho, vindo da roça, veio conhecer mais dois netinhos.
---“Meus filhos, vocês vão saber cuidar dessas crianças! “
                                                                        

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Autobiografia de Irundy Dias ( p 48 )

Nos últimos dias de matriculas, Dona Maria de Lourdes Bloisi, mais conhecida  por ” Dona Lourdes”, que trabalhou como adjunto de secretário, durante vários anos na CNEC ( Campanha Nacional de Escolas da Comunidade),numa certa tarde, ela mostrou-me as listas das diversas turmas e em especial pela quantidade de alunos já matriculados na quarta série ginasial.
Alcançáramos 51 alunos e não nos parecia que ainda faltava alguém. Como estávamos em recesso escolar, fui pegar os papéis e analisar as cargas horárias, dos professores que deveriam lecionar na turma da quarta série, naquele ano de 1971. Era um nosso hábito antigo, todas as vezes que as matriculas de determinadas séries, ultrapassassem  os 35 ou até os 40 alunos, tivéssemos o trabalho de desdobrar em duas (A , B) ou mais turmas(A,B,C). Era também uma praxe, que ano após ano.ao chegarmos na quarta série, o número de alunos estava reduzido a uma turma só , devido a desistências, transferências, reprovações, que deixavam grande parte deles no meio do caminho. Mas naquele ano de 71, a “coisa pegou “. Já atingíramos o total de 51 e não dispúnhamos de recursos humanos, para suprir aquele total alcançado.
Que fazer ? O mais viável era esperar  que estivesse bem próxima a reabertura das aulas, para tentar solucionar o problema junto aos professores ou confeccionar os horários de todas as turmas, contando já a quarta série como uma turma única ? Optei logo de saída pela segunda hipótese.
E de fato, quando chegamos aos três dias que antecediam ao início das aulas, nenhum professor quis arcar com a responsabilidade de aumentar a sua carga horária. Como o horário  de aulas já se achava pronto, sói tivemos o trabalho de expedi-lo aos professores e coloca-lo no quadro geral para conhecimento de todos os alunos.
Pela primeira vez e última se não me falha a memória, o Centro Educacional Cenecista de Poções, trabalhou com uma turma única de quarta série com um total superior a 50 alunos. E para que chegue ao conhecimento de todos os leitores, foi também a única turma que depois de 25 de anos, na conclusão de seu curso ginasial, resolveu comemorar as Bodas de Prata, numa animada festinha, dentro de uma barraca, durante os Festejos do Divino Espírito Santo, do ano de 1976. onde compareceram  diversos colegas da referida turma e uns outros, convidados ou não, que se passaram, como se fossem da mesma turma dos idos de 1971.
Para os leitores, basta salientar que, o nosso saudoso e querido amigo Tonhe Gordo, fez parte daquela turma e como Prefeito na época, deu todo o apoio pela iniciativa dos demais colegas.
ESTA PÁGINA DE MINHA AUTOBIOGRAFIA. É DEDICADA A TODOS OS MEUS EX-ALUNOS DA TURMA DE 1971, QUE ESTIVERAM OU NÃO, PRESENTES, AQUELA FESTINHA DE CONGRAÇAMENTO.
                                                           
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Autobiografia de Irundy Dias ( p 47 )

Logo no começo do ano  de 1970, Armando já enviava as primeiras noticias, mostrando  o seu desempenho nos primeiros trabalhos como ortopedista e traumatologista, que naquela Cidade de Paulo Afonso, aquele tipo era diuturno. Fora os trabalhos no atendimento aos empregados da CHESF( Companhia hidroelétrica do  São Francisco), apareciam os atendimentos particulares, principalmente de acidentados com motocicletas. Nas comunicações que se seguiram, Armando citava detalhes sobre a quantidade de rapazes mortos no uso das motos, sem contar os casos de braços, pernas e outras partes do corpo, em acidentes horríveis. Nos contou também, sobre um consórcio onde ele começou a participar, para a aquisição de um fusca.
Ainda em janeiro , nos deslocamos a Salvador para participar de um curso promovido pela Secretaria de Trabalho e Bem Estar Social, onde frequentamos durante três dias, recebendo ao final, os nossos respectivos certificados de comparecimento e assiduidade.
Logo ao reinício das aulas recebemos outra comunicação de Armando onde fora o primeiro a ser sorteado no consórcio, ganhando o seu “fusquinha” e estava feliz da vida. Com isso nos animamos e resolvemos amealhar um dinheirinho para adquirir o nosso primeiro carrinho, fosse através de consórcio como Armando o fizera, ou comprando com uma determinada entrada e algumas prestações a pagar, de acordo com o nosso orçamento doméstico.
Alguns meses depois , ou seja, a partir do dia 31 de maio, iniciou-se mais uma Copa e todas as atenções estavam voltadas para o México, onde seria realizado o torneio. Nas semifinais desta Copa, ocorreu o chamado jogo do século, disputado entre as equipes da Alemanha Ocidental e da Itália. A partida permanecia 1 a 0 para a Itália até os 90 minutos, quando Karl-Heinz Schnellinger empatou a partida e levou a decisão para a prorrogação. Nessa prorrogação, ambas as seleções protagonizaram uma sucessão de viradas de placar até que a Itália firmou a vitória em 4 a 3. Esta partida é tida como a única em todas as Copas a ter 5 gols feitos na prorrogação. Além destas equipes, uma das seleções favoritas era o Brasil que, embora tenha tido um retrospecto ruim em 1966, montou uma equipe repleta de estrelas, como Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivellino, Gérson, Clodoaldo, Piazza e Carlos Alberto Torres. Nesta edição, o Brasil venceu todos os jogos das eliminatórias e da Copa. Esta equipe mostrou ser uma das mais eficientes de todos os tempos.
A final da Copa do Mundo FIFA de 1970 foi disputada pelo Brasil, que havia eliminado o Uruguai e o Peru; e a Itália, que eliminara a Alemanha Ocidental e o México. A partida foi realizada em 21 de junho no Estádio Azteca na Cidade do México, com um público estimado em 108 000 pessoas. Sob o apito do árbitro alemão Rudolf Gloeckner, o primeiro tempo terminou empatado em 1 a 1. Ao final dos 90 minutos, o placar era de 4 a 1 para a equipe brasileira. O título serviu de propaganda política, quando o país estava no auge da ditadura militar brasileira. Este título também pôs o Brasil como a primeira seleção a ser tricampeã, confirmando a superioridade brasileira em relação ao futebol mundial. O capitão Carlos Alberto Torres levantou a Taça Jules Rimet entregue pela última vez em Copas, agora em caráter definitivo..
Diuturno :-Que tem longa duração . Duradouro

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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Autobiografia de Irundy Dias ( p.45 e 46 )




Voltamos às nossas lides escolares. Enquanto eu me concentrava no gabinete dentário no turno matutino, Nó arrumava Béu e Têde, pois ambas estavam matriculadas no Grupo Escolar Alexandre Porfírio, que ficava situado na Praça da Bandeira. Este Grupo escolar que pertencia ao Estado, devido as diversas modificações introduzidas no sistema educacional, hoje em dia é mantido pelo Município. A fim de evitar o trânsito, as meninas ( Béu já estava perto dos 8 anos de idade e Têde aproximava-se dos sete), seguiam pelo passeio da ladeira da Avenida Cônego Pithon, até contornar a esquina onde ficava a Coletoria Federal(hoje uma casa comercial intitulada Real  Calçados. Na Coletoria Federal, trabalhavam os nossos amigos: Bernardo Tôrres Coêlho, que era  o Coletor; Bernardo Espinheira Messias, o escrivão, e o meu vizinho Joaldo das Neves Ferreira. adjunto de escrivão. Saliente-se que Bernardo Coêlho e Joaldo só iam ao trabalho, impecavelmente vestidos  com terno completo e gravata, enquanto Bernardo Messias, gostava mais de trajes esportivos.Com o passar do tempo, a Coletoria foi desativada, e a casa da esquina foi comprada pelo nosso amigo Marcolino Melo Ferreira, que ali instalou um mercadinho com boa freguesia.
Pois bem :Sybele e Mercês ao chegarem na esquina, seguiam direto pela Rua Apertada( hoje com o nome de Olímpio Rolim, em homenagem ao ex-prefeito que sempre residiu ali naquela artéria).Passavam em frente ao Cine Santo Antônio, a própria residência do Sr Olímpio Rolim,a casa do avô delas, Sr. João Gusmão Ferraz, a residência de Julia Almeida (filha de Zé Cego) e dali tomavam o rumo da Praça da Bandeira, onde fica situado o Grupo Escolar Alexandre Porfírio.
No turno vespertino, logo após o almoço, nós subíamos a Avenida Cônego Pithon até o prédio da CNEG, onde ministrávamos as aulas  até o nosso retorno já à tardinha. E Assim ficamos naquela rotina durante alguns meses, até quando Tavinho e Amélia resolveram mudar-se para Salvador motivados para a melhora dos estudos dos três  filhos, Marcos Cesar e Bete Uns dias se passaram, quando o Sr. Jambinho nos convidou a ir morar na Olímpio Rolim,90 sua residência, onde haviam ficado Tereza, irmã de Nó  e Dona Jovelina, apelidada de “meu Dó”, uma  preta velha que havia quase que criado as meninas depois que a mãe delas falecera há alguns anos atrás. Tavinbho e Amélia ,em Salvador, conseguiram para alugar, um apartamento com três quartos, embora dois deles fossem bem pequenos. Com sala de janta, cozinha e uma área próxima a cozinha, que servia para guardar alguns mantimentos. O apartamento ficava bem em frente ao forte Santa Maria, situado no Porto da Barra.
Para todos nós , a mudança foi excelente. Primeiramente  pela casa bem mais ampla do que aquela que estávamos em aluguel. Para as meninas Bel  e Têde, foi praticamente um manjar do céu. Com uma área enorme, com pátio e quintal, elas duas brincavam a valer. Era um ar de liberdade principalmente parta Nó e eu, que durante 9 anos, ficamos confinados em casas de aluguel, locais pelos quais nunca ficamos em tempos de solteiros. Por sua vez , para Tereza e Meu Dó, receberam a nossa companhia e não ficariam isoladas grande parte da semana, visto que o Sr. Jambinho, só vinha da roça aos sábados. Para as meninas, também, houve o encurtamento do percurso em direção à escola.


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 Entretanto, o nosso caminho para a CNEG ficou radicalmente modificado. Saíamos pela lateral da casa, subindo num caminho íngreme de uma trilha só(o chamado caminho da roça) e passávamos em frente a um prédio( que mais tarde seria convertido no Hospital Regional).Entretanto, devido a ineficiência das autoridades da época, aquele local, ficou infestado de mendigos e malandros por todas as dependências do edifício, numa promiscuidade incrível. O Prefeito da época, mal assessorado, é provável que não tenha tido tempo de olhar aquele ambiente de perto, pra tentar solucioná-lo. Fez vistas grossas e deixou o tempo correr.
Ao passar após aquele local, deparávamos com os alicerces construídos da futura sede  do Clube Social. Em seguida atravessávamos a pista, onde ainda havia pouco transito, desde quando,  na região ainda predominava muito matagal. Ao chegar a área da CNEG, todo o terreno era cercado por pilastras de  cimento concretado, seguras através de arame farpado em várias camadas. Todo aquele terreno seguia em direção à Rio Bahia, mas algum tempo  depois, o mesmo Prefeito que não olhou a mendicância que ocupava aquele prédio já mencionado, soube desapropriar a área não cercada, fazendo um loteamento e criando o bairro Indaiá, tirando da CNEG a maior parte de sua área.



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Da mesma forma que a CNEG, perdeu grande parte de sua área, tal aconteceu com o terreno da futura sede do clube social, que se estendia além do campo de futebol. Basta salientar que a área de hoje onde existem a rua Vieira de Melo e o Estádio Heraldo Curvêlo, pertencia ao clube social. Os responsáveis diretos pelas duas instituições se omitiram, para não gerar algum conflito  ou descontentamento com a população, mas hoje em dia o Clube Recreativo de Poções (atual denominação), não tem como expandir-se, devido a sua área restrita. O recurso é o sentido vertical. A CNEG que com o  tempo mudou a sigla para CNEC( Campanha Nacional de Escola da Comunidade) SEMPRE atravessou crises e mais crises, dependendo mais das verbas da Prefeitura do que das mensalidades pagas pelo pais. O meu irmão Armando já cursando os últimos anos de Medicina, de vez em quando aparecia, para testar os seus conhecimentos com as turmas mais adiantadas do colégio e levava vários questionários, cuja finalidade principal só ele mesmo sabia avaliar.
Durante o ano de 1968, estávamos completando dez anos de casamento no mês de setembro. Mas o dia 20 não iria cair num sábado, então a solução foi aproveitar o próximo e aí convidamos Papai, Mamãe, Seu Jambinho, Tereza e realizamos a nossa festinha de congraçamento, assistida pelos olhares atentos de Bel e Têde e a mesma se estendeu até perto das 18 horas, tendo em vista, que com aquele hábito de Papai de jantar sempre no mesmo horário , retirou-se da festa levando consigo Mamãe. Seu Jambinho depois das 20 horas, seguiu para a fazenda Jeribá e nós quatro ficamos sós curtindo o restante da festa.
O melhor acontecimento do ano de 1969 foi  a formatura de Armando, meu irmão, tendo concluído o seu curso de Medicina que aproveitou o ensejo de realizou o seu casamento com a senhorita Beatriz Almeida, cujo namoro já se estendia por algumas datas. A cerimônia l iniciada na Igreja onde os noivos receberam as bênçãos nupciais, se estendeu até o clube, onde os demais colegas, estavam todos paramentados com os seus  smokings alugados, sempre sorridentes, esbanjando aquela alegria sempre vista em tais efemérides .Por sua vez, as mães, esposas, tias, irmãs, cunhadas, mostravam-se deslumbradas com os seus vestidos longos e coloridos.
Terminada aquelas formalidades existentes em todas as festas de formatura, pudemos desenferrujar os esqueletos, dançando algumas partes, relembrando os nossos velhos tempos de namoro. Tudo ocorreu às mil maravilhas e quando passava um pouco da meia noite, Armando e Beatriz se despediram de todos os mais chegados e saíram em direção ao hotel que já haviam reservado  para a sua “lua de mel”.
Nós dois já habituados a romper a madrugada em várias festas , repetimos o feito e somente saímos no  “cisco”.
Dias depois o jovem casal viajou para Paulo Afonso ,onde Armando iria começar as sua vida profissional.
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Autobiografia de Irundy Dias ( p 44 )

Entrecortando palavras a meio tom para que a turma não ouvisse o nosso diálogo, resolvi então demonstrar ao pessoal a maneira pela qual se extraia a raiz cúbica de qualquer número, pelo processo usual e outro pela fatoração.
Para Noélia, com aquela gravidez à vista, o pior era todos os dias , subir e descer dos ônibus, sujeita e tomar algum empurrão.
Ao final do curso, recebemos os nossos certificados e ao retornar a Poções, ficamos aguardando o reinício das aulas. Noélia todos os dias queixava-se de alguma coisa. A barriga doía constante e diuturnamente. Mas os dias de fevereiro passaram e as aulas recomeçaram em março. Nos primeiros dias, logo após o almoço, íamos como sempre, andando, desde a Rua Olimpio Lacerda Rolim, até chegar ao prédio da CNEC, passando pelo  futuro Hospital e os alicerces do também futuro clube social. Era uma caminhada ingrata, principalmente para Noélia, logo após o almoço, ter que se deslocar naquele bom pedaço de terra. A queixa era a mesma . Abarriga doía intensamente.
Então na tarde ensolarada do dia dedicado a São José, ou seja em 19 de março, já com seis meses de gravidez, partimos para mais um dia de aulas e aí a coisa pegou. Logo ao terminar a primeira aula da tarde, chegando à sala dos Professores, mais uma vez Nó chegou queixando-se do aumento das dores. Pedi a alguém que nos levasse em casa de automóvel, pois o estado de Noélia já estava inspirando cuidados médicos. Mandamos chamar o Dr. Aloísio Rocha, que um pouco mais das 16 horas, chegou lá em casa, acompanhado de sua assistente. Logo nos primeiros exames, ele concluiu, que Nó estava em trabalho de parto prematuro. Em cinco minutos depois, surgiu um menininho morto, com cerca de 20 cm de comprimento, embora totalmente perfeito. Alguns segundos depois ,a enfermeira que o acompanhava, constatou, que ainda havia outra criança a nascer. Depois de mais uns cinco minutos, apareceu outro menino, todo arroxeado, embora vivo. Não chorou a principio, mas após umas palmadinhas e imersão em água morna, ele esboçou aquele chorinho tímido.
Dr. Aloysio nos aconselhou a coloca-lo no berço das meninas, todo envolto em grande quantidade de algodão para ficar bem aquecido, mas ao sair não deu nenhuma esperança de sobrevida.
De fato, como previra, a criancinha resistiu até às 21 horas.
Ela chorou, mas comentando nos dias seguintes, o que de fato sucedera, chegamos a conclusão, que os nossos filhos gêmeos, não resistiram aquele impacto diário, da subida e descida dos ônibus em Salvador. Lá se foram duas vidas, inteiramente dedicadas à educação desta cidade de Poções. O garotinho que nasceu vivo, foi registrado com o nome de José e pela primeira vez sentimos de perto a perda de alguém retirado das entranhas de nossas carnes. Mas as nossas duas princesinhas Sybele e Mercês, estavam ali  para exaltarmos mais ainda o nosso amor.
Aos poucos fomos nos acostumando com a perda e verificamos que em todas as famílias existem tais vexames.

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